Viagem para Machu Picchu com pouco dinheiro e muita experiência.

Minha história

Compra de passagem para Santa Maria – Cusco (18-11-2017)

Quando cheguei em Cusco decidi ir até a rodoviária de Santiago ou terminal terrestre porque não tinha descoberto o horário de saída do ônibus nem para Santa Maria, nem para Hidrelétrica.

Lá descobri que não há ônibus para Hidrelétrica e comprei minha passagem para Santa Maria (os transportes que saem de Cusco passam por Santa Maria e depois vão direto para Quillabamba) por S/20.00 sóis, com tempo de viagem de 4h. Quando saí, fui comer 1/8 de pollo e papas fritas por S/8. Já tinha passado por este terminal porque lembrei do cemitério que fica em frente. Descobri que havia um ônibus da Pachacutec até lá e assim pude me planejar para sair e também ver quanto iria gastar.

Li o compêndio de sites e blogs que fiz, vi um pouco do Gobo Repórter sobre o rio São Francisco e fui dormir por volta de 23h.

Partida de Cusco (19.11.2017)

Acordei com o sol quando consegui despertar, depois de 5:45h. Fiquei pensando que horas o sol nasce para ter que madrugar amanhã. Fiz um super lanche para a viagem e peguei o ônibus. Ontem todos os homens me ofereceram acento, mas depois de 9h sentada a única vontade é ficar em pé.

Estava no terminal às 7:15h e, quando entrei no ônibus, depois de pagar S/0,50 de taxa de embarque, descobri que não há banheiro num trajeto de 4h. Após esperar por 20 minutos fui falar com o motorista. Hoje foi a 1ª vez que vi uma peruana reclamando que o ônibus não vinha, nunca tinha visto um peruano reclamar de algum serviço. E aí me cansei de esperar e saber que temos um horário a cumprir até Hidrelétrica. Bati na porta da bilheteria que estava aberta e disse que minha passagem era para às 7:30h e não para as 8h e aí ouvi algo que me irrita aqui: “ahorita mismo”. Porque esse “ahorita” é, no mínimo 10 minutos. E aí vi o motorista entrar e ligar o motor e também entrou um ambulante que ficou no mínimo 5 minutos falando – o próprio Panis et Circensis.

Na 1ª parada o motorista disse que íamos descer para ir ao banheiro, mas que não conseguimos porque choclos (espiga de milho), raclota, pollo e gelatinas inundaram o ônibus e, quando tive espaço não tinha mais tempo. Desci em Urubamba, 2h depois que havíamos saído. Estiquei as pernas, tomei um sol enquanto o cara do ônibus amontoava os sacos coloridos no bagageiro.

Parada em Ollantaytambo.

Destino: Ollantaytambo e a paisagem é composta por pinheiros delimitando as propriedades. Ollanta é um povoado inca vivente que adorei. Montanhas ao redor e muita água correndo pelas ruazinhas estreitas (Veja os 4 lugares imperdíveis em sua visita a Ollantaytambo). Depois teve uma parada num lugar de beira de estrada com mulheres vendendo comida e latrinas no lugar de banheiros.

Chegada em Santa Maria.

O ônibus me deixou em Santa Maria com 6:30h de viagem mais o atraso da saída e ½h da parada de 10 minutos. Foi inacreditável o que eles fizeram quando fui reclamar do horário da saída do ônibus. Entrou um homem fazendo propaganda de umas coisas para tomar tempo e saímos às 8h ao invés de 7:30h. Estes atrasos, a passividade do povo que não diz uma palavra e os também ruins “ahorita mismo” ou “no te preocupes” são cansativos.

Sim, saímos com 1/2h de atraso. Isso é um ônibus de viagem. Então as vans não estão atrás deles quanto a esperar passageiros. Em Santa Maria um taxista veio perguntar para onde eu ia: Hidrelétrica. Ok, S/15, por 5h e o mesmo para 1:30h. Aí veio o cara que estava no ônibus, um francês que pegou o mesmo táxi e se ofereceu para tirar fotos do visual já que ele estava do lado do precipício. Depois de um tempo perguntei se ele ia para Machu Picchu e disse que sim. Ele estava pensando em descer em Santa Teresa e pegar um táxi. Me animei porque ele falou: “vamos”. Troquei minha calça jeans porque estava muito quente e fazia tempo que não sentia calor. Cusco é muito frio o ano todo. O motorista corria, foi com emoção, e só buzinava nas curvas avisando que estava chegando e ia passar. Imaginei se quem viesse do outro lado também pensaria o mesmo: “estou passando”. Felizmente não tivemos essa surpresa. Como queríamos chegar à Hidrelétrica com tempo para caminharmos durante o dia pedimos para irmos embora e aí ele aumentou de S/15 para S/20.

Chegada em Santa Hidrelétrica.

Chegamos em Hidrelétrica e deixamos nosso nome para controle dos guardas porque é um santuário. Começamos a andar e já fomos parar num caminho sem saída. Voltamos para uma guarita e o guarda passou um trajeto que cortava caminho. Depois disso foi muito fácil. A caminhada com o francês foi muito tranquila, respeito ao outro e, duas pessoas que nunca tinham se visto antes fizeram um caminho de 3h de uma maneira leve e divertida. Falamos em francês, espanhol e inglês. E ele não queria falar francês e fiquei feliz porque é a minha língua mais fraca entre as três. Estava sempre checando se eu ainda estava lá, seguindo-o, isso porque caminho rápido, mas a natureza me chamava mais para captá-la a todo instante. Tiramos fotos, caminhamos rápido e mesmo assim chegamos a Águas Calientes às 18h, no escuro. Passamos por uma ponte de tábuas espaçadas que me deu medo porque o rio passava lá embaixo. Parei numa parte, tomei coragem para cruzar e depois fui de uma vez para só depois perceber que ao lado tinha uma passagem de pedestre.

O caminho é tranquilo, plano, uma vista maravilhosa onde o rio também é importante dizendo, com seu som que estava sempre ao nosso lado. Caminho mágico esse. Quando fica mais perto de Machu Picchu as montanhas circundam os trilhos. É uma energia inevitável de não se sentir, contaminando do corpo à alma, entrando por todos os poros e sentidos.

Chegada em Águas Calientes.

Cheguei em Águas Calientes sem forças e fui direto para o hotel. O francês ia encontrar seu pessoal. Me recuperei um pouco só para ir comer algo e voltar para dormir cedo. Quase dormi em cima do prato. Águas Calientes é um lugar gostoso, com o rio correndo no centro do povoado e aquele som delicioso, um mercado cheio de barracas enfileiradas com milhares de mercadorias. Não tive coragem para pensar em ver o nascer do sol, mesmo porque o céu estava todo nublado. Só queria acordar em um horário para pegar o ônibus e chegar lá antes da muvuca.

Cheguei à Machu Picchu! (20.11.2017)

Tomei café no hotel e fui para a fila do ônibus. A fila não estava muito grande, mas tinha um aglomerado de pessoas. O caminho é bonito. Cheguei em Machu Picchu umas 9h, peguei o mapa e fui visitar a cidadela. A princípio estava nublado e depois o tempo foi abrindo, com sol forte.

Gosto de andar aleatoriamente onde vou, de me perder para me encontrar. Fui no Templo das Três Janelas, o do Sol e o Principal e, quando cheguei na frente da Montanha Velha, aquela que vimos em tantos Instagrams, Internet e Facebooks, sentei na grama e fiquei admirando, tentando sentir a energia e não ouvir as tantas vozes que estavam por ali. Honestamente, não senti a energia que as pessoas falam, ela foi sentida nas 3h de caminhada circundada de floresta, som do rio, vento nas árvores e ninguém além de nós.

Em Machu Picchu fiquei imaginando como eles conseguiram subir por montanhas escarpadas e mesmo pelo caminho que fiz, com pedras enormes. Pedra para mim também é muito forte: adoro castelos medievais, casas em vilas da mesma época também de pedra. É realmente incrível a maneira que estes blocos foram cortados.

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1 comment

  1. Muito legal o seu relato. Adoro ler tudo sobre às pessoas que vão ao Peru. Um dia irei.

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